domingo, 20 de março de 2011

Da Anarquia

anarquia

Outro dia me perguntaram qual era a minha orientação política. De direita ou esquerda. Respondi: nenhum dos dois. Na verdade, como última instância, sou de centro-direita. Mas minha verdadeira afinidade é com o Anarquismo.

Pra começar, vamos esclarecer algumas coisas: Anarquismo não é o caos ou a desordem generalizada. O termo anarquismo e suas derivações lingüísticas foram deturpadas ao longo do tempo pelos moralistas que queriam impedir a ascensão de ideologias políticas contrárias à ordem vigente, ou seja, eram contra o socialismo e o anarquismo, que, para alguns, eram a mesma coisa: artifícios do mal para levar a sociedade à decadência e à barbárie. Bem, hoje, sabemos que socialista não come (ou comia) criancinha, mas parece haver ainda certo estigma sobre o anarquismo. E parte desse estigma foi reforçado pelos próprios ditos anarquistas.

A anarquia não tem nada a ver com violência desordem, caos, agressão e outros sinônimos que você pode achar por aí. Anarquia é uma ideologia, politica que “prega” a não-hierarquização da sociedade, a ausência de estruturas de governo que sejam impostas. Em termos simples: sem chefes, sem caciques, pajés, patrões, generais, faraós, xerifes, xeiques, presidentes, ministros nem nada disso. Sem Estado, sem líderes. A população seria, então, livre para se governar.

A associação da anarquia com o caos vem da óbvia conclusão de que pessoas se tornariam um bando de animais selvagens matando uns aos outros, roubando uns dos outros e por aí vai, caso não sejam liderados por algum tipo de governo central. Bem, é difícil negar que esse cenário é provavelmente o mais provável. Mas, me arriscando a colocar fé de mais na boa vontade humana, será que esse Caos se estenderia indefinidamente. Será mesmo que sem um “líder” (leia-se: estrutura de governo) viveríamos esse estado auto-destrutivo?

A resposta de um leigo em dinâmica social?… Não. Aliás, as teorias anarquistas também não. Nós somos programados- biologicamente - para a auto-preservação, inclusive enquanto sociedade. Claro que mataríamos uns aos outros por um período de tempo, mas, eventualmente, encontraríamos um equilíbrio, com o tempo, nos auto-organizaríamos.

NO entanto, vivemos uma programação ainda mais forte: aquela que nos faz acreditar no “uns mandam, outros obedecem”. A hierarquização da sociedade é mais do que um sistema imposto, é um fator cultural entranhado em nossas concepções. O que torna quase difícil - se não impossível - de, sequer, cogitar a hipótese de um mundo livre de governantes. Para não mencionar a atribuição - talvez equivocada - de privilégios e status a quem ocupa algum tipo de cargo de liderança. Um comportamento também cultural. Quem não quer poder, não é mesmo?

Desde ponto de vista, a anarquia, um mundo sem superiores ou inferiores, é uma utopia, um mundo perfeito além do que se pode alcançar. Sim! Infelizmente. Mas imagine por um segundo, um mundo me que não existe política e, assim, políticos, eleição, impostos, corrupção, cargos públicos…

Só “liberdade”…

terça-feira, 15 de março de 2011

Chernobyl, Parte II

caos

Acho que um terremoto nunca causou tanta destruição num país, como o deste último final de semana que atingiu o Japão. Além do violento tremor de 9 graus na escala Richter, tsunamis de 10 metros e, a cereja em cima da cereja no topo desse maquiavélico sundae de destruição, uma usina nuclear vazando radioatividade e prestes a explodir. Esse foi o pior acidente envolvendo energia nuclear desde Chernobyl.

Claro que essa tragédia no Japão faz necessária a discussão sobre as melhorias das instalações das usinas de energia atômica, quais medidas são necessárias para garantir a segurança e saúde da população. Mas é preciso repensar a paranóia que se apossou da comunidade internacional depois que a central nuclear de Fukushima entrou em colapso. A União Européia, os EUA e até a Índia estão freando seus programas nucleares depois da catástrofe japonesa. Acredito que o Brasil faria a mesma coisa se utilizasse energia nuclear com mais significância em sua matriz energética.

Não minimizando as proporções do acontecido ou o quão nocivo é a radioatividade para o corpo humano, há um certo exagero ao redor dessa questão. De novo, é preciso sim, discutir a implementação de medidas de segurança mais eficazes para usinas nucleares, mas também não se pode permitir um retrocesso baseado apenas no medo e na desinformação.

Num mundo em que obtenção energia é um problema constante, a matriz nuclear é uma das mais eficientes quando comparadas com outras, não só pela sua produtividade, também por outros aspectos. Embora seja a manifestação natural mais nociva à saúde do homem e ao meu ambiente, quando devidamente utilizada - ou seja, dentro de parâmetros de segurança - poluí menos e causa menos estragos à saúde do que o carvão por exemplo, que não possuí qualquer parâmetro de segurança que contenha seus danos. Em comparação com usinas hidroelétricas, a energia nuclear também ganha no quesito espaço. A área afetada pela construção de uma hidroelétrica é gigantesca, o impacto ambiental beira o catastrófico: desmatamento, represamento e redefinição de cursos de rios, que desencadeiam várias outras consequências. Contra a Eólica e Solar, bem… a geração de energia dessas duas matrizes ainda está a anos de ser viável para grandes populações como Brasil ou Japão.

É uma pena que um desastre como o do Japão incite uma paranóia nos governos do mundo todo. Uma paranóia que nasceu na Guerra Fria, com o medo da guerra nuclear e Chernobyl. Duas situações que não se aplicam mais ao mundo atual. Chernobyl foi um acidente fruto da ânsia da União Soviética em se mostrar mais poderosa para o mundo, e acabaram fazendo um trabalho mequetrefe. Fukushima foi vítima de uma fatalidade da natureza. Uma bem cruel. Todos nós estamos sujeitos a elas e se nos deixarmos levar pelo pânico, jamais conseguiremos atingir a evolução necessária para nos protegermos dela.


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ps.: os 15 minutos de fama de Kadifi acabaram depois do terremoto no Japão. Ou alguém ouviu falar nele depois desse fim de semana? Será que alguém vai se lembrar dos Dias de Fúria no Oriente Médio depois que a poeira abaixar?...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Caça Às Bruxas

 

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Existem certos lugares em que a gente não deve meter o bedelho onde não é chamado. Às vezes porque o assunto realmente não é da nossa conta, outras, porque simplesmente não temos competência para tanto. Eu não me importo muito com nenhuma das duas.

O que quero falar hoje é sobre a decisão do congresso americano de investigar membros das comunidades mulçumanas sob sua bandeira como uma forma de impedir que a Al-Qaeda recrute membros para suas fileiras de homens-bomba. Percebem que numa sociedade já fragmentada e aterrorizada por um medo psicótico infundado, uma decisão como essa pode agravar ainda mais o abismo entre ocidentais e mulçumanos? O inimigo mulçumano nos Estados Unidos está sendo fabricado exatamente como inimigo ocidental foi fabricado no Oriente Médio, através da intolerância social - e aqui não cito apenas a religiosa, que persegue cristãos, judeus e até sub-grupos mulçumanos que são “minorias” nos países - tem as mesmas raízes que da intolerância que se instaura agora nos EUA.

Decisões como essa apenas sustentam e embasam o ódio que Aiatolás e Ahmadinejah tem contra o ocidente. “Olha, eles nos odeiam! Não nos respeitam! Não podemos respeitar os infiéis”, ou diriam alguma baboseira parecida para recrutar ainda mais homens-, mulheres-, crianças-bomba. Claro que os americanos precisam pensar em sua proteção, afinal de contas, o 11 de setembro realmente aconteceu; mas iniciativas políticas como a que o congresso americano propôs, correm o risco de apenas aumentar os atos de violência, que já não são poucos.

 

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ps.: ok, depois desse post você pode estar pensando “e daí?…“, não é mesmo?… É… é daí?…

terça-feira, 8 de março de 2011

Elas São Bamba

 

MulherFlor

8 de Março, dia Internacional da Mulher. Uma data para se comemorar as conquistas do tal “sexo frágil” ao longo do último século. Elas conseguiram o direito de votar, de trabalhar fora, de usar calças, de ficar por cima na cama. Conseguiram voz para lutar por um lugar ao sol, que antes só pertencia aos sacudos.

Mas isso é motivo para parar por aí? De certo que não. O machismo ainda é uma verdade na sociedade, a desigualdade entre os sexos, os estereótipos ultrapassados. Muito já foi feito, mas ainda há muito o que se fazer por elas.

 

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ANA CAROLINA - ELA É BAMBA

"Então vamo lá!:
Ana, Rita, Joana,
Iracema, Carolina"

Ela é bamba!

Ela é bamba!
Essa preta do pontal
Cinco filhos pequenos pra criar
Passa o dia no trampo pau a pau
E ainda arranja um tempinho pra sambar

Quando cai na avenida
Ela é demais
Todo mundo de olho
Ela nem aí
Fantasia bonita
Ela mesmo faz
Manda todas
Não erra a mira...

Mãe, passista, atleta
Manicure, diplomata
Dona da boutique
Enfermeira, acrobata...

(Bailábailá)
Bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bambá!
(Bailábailá)
Bamba!
(Bailábailá)...hei hei heei!

Ela é bamba
Essa índia da central
Vai no ombro
Um cestinho com neném
Oito quilos de roupa no varal
Ainda vende cocada nesse trem

Toda sexta
Ela fica mais feliz
Vai dançar numa boate do Jaú
Faz um jeito
E já pensa que é atriz
Cada dia inventa um nome

Dora, Isaura, Emília
Terezinha e Marina
Ana, Rita, Joana
Iracema e Carolina...

Ela é bamba!

Dora, Isaura, Emília
Terezinha e Marina
Ana, Rita, Joana
Iracema e Carolina
Laura, Lígia, Luma
Lucineide, Luciana
Quer seu nome escrito
Numa letra bem bacana...

Ela é bala
A mestiça é todo gás
Cada braço é uma viga do país
Abre o olho com ela meu rapaz
Ela é quase tudo que se diz...

Quando compra uma briga
Ela é demais
Vai no groove
E não deixa desandar
Ela é pop, ela é rap
Ela é blues e jazz
E no samba é primeira linha...

"Vamo lá!:
Laura, Ligia, Luma
Lucineide, Luciana
Quer seu nome escrito
Numa letra bem bacana...
Ela é bamba!

sábado, 5 de março de 2011

Primeiro e Último

 

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Tenho pensado muito em você nesse dias. É uma saudade perversa, meio cruel com as memórias que guardo de nós dois. Memórias tão doces, de te olhar nos olhos, enquanto sua cabeça repousava em meu colo; olhos grandes, inocentes, como os de uma criança. E em pensar que era apenas a primeira vez que nos encontrávamos. Eu podia me reconhecer no seu olhar, e me sentir confortável, protegido. Era uma sensação inédita para alguém que nunca tinha experimentado a felicidade.

E, tão logo você chegou, você partiu. A despedida só me faz pensar que éramos tão criança, tão bobos. Dois garotos, parados ali no ponto de ônibus, eu olhando você partir, me perguntando quando e, mais importante, se o veria outra vez. Já sentia saudades, já sentia sua falta. Já me sentia incompleto. Nos veríamos outras vezes nos meses seguintes, sim. Os meses mais felizes da minha vida.

Mas, apesar da alegria implacável por amar você e de todos os planos e idéias que alimentava de ficarmos juntos, eu sabia que jamais conseguiria ficar com você para sempre. Era um misto de medo e premonição. E eu te disse isso, na noite em que passamos na minha cama, ouvindo música. “Você está saindo da minha vida, e parece que vai demorar. Se não souber voltar, ao menos mande notícias”. Você achou que eu estivesse louco, mas eu sabia que as coisas se encaixariam.

Você foi embora. Eu estava de mãos atadas. Queria pedir que não fosse embora, mas não podia. Tenho certeza que não funcionaria. Pensei que poderia ir atrás de você. É engraçado. O que uma criança como eu poderia fazer, indo atrás de você? E, olhando pra trás, hoje, eu sei que você não queria isso. Quando você me disse que não poderíamos ficar juntos, porque as circunstâncias eram complicadas demais, eu sabia que não haveria volta ou remédio. Eu planejava te ganhar, mesmo sabendo que já tinha te perdido. Eu perdi.

Hoje, eu sinto meu coração se contorcer, toda vez que penso: “será que ele ainda pensa em mim? Será que ele ainda lembra de mim?' Do que a gente viveu? Ou será que, depois de tanto tempo, ele se esqueceu?”

Eu lembro.

Contra todas as possibilidades, contra todas as amarguras, contra todas as derrotas e cicatrizes que colecionei desde que você partiu, as memórias de nós dois, na minha cama, na primeira vez que ficamos, ou o nosso passeio pela praça tomando sorvete, ou a primeira vez que vi seu corpo nu na escuridão… Essa são memórias imaculadas. Eu lembro.

Você foi meu primeiro amor. E será o último.

 

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TÃO LONGE
Reação em Cadeia

Quando vi os teus olhos
Eu então acreditei
Pude entender tudo que você quis me dizer
Fui tão longe
Fui tão longe

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Barbárie Institucionalizada

 

manchas-de-tinta

Sei que falei recentemente sobre esse assunto aqui no blog, mas como faz tempo que não posto nada e esse texto me rendeu um “brilhante argumentação”, pensei em compartilha-lo com vocês. É um breve texto sobre trote nas universidades, trabalho feito em sala, em uma aula de português. Infelizmente, não foi permitido falar tudo que gostaria, até passei do limite de linha estipulado, e vocês sabem como gosto de falar. Bem, no mais, achei que era um texto merecedor da audiência de vocês, embora seja um assunto repetido. Vamos ao texto…

 

Barbárie Institucionalizada

 

É impressionante que na nossa sociedade ainda haja espaço para certas posturas juvenis absurdas e ilógicas. E é ainda mais impressionante quando costumes baseados na submissão infundada e na humilhação despropositada ache terreno fértil em faculdades e universidades, locais onde, supostamente, deveriam ser cultivados os valores superiores como respeito ao próximo.

Assim acontece com o trote, forma de “boas-vindas” aos que ingressam no ensino superior, que, em versões mais leves, incluem tintas, esmaltes, alimentos mau-cheirosos ou estragados e outros materiais inconvenientes e cortes de cabelo e roupas. A prática se esconde por trás da inocente desculpa de integrar os calouros com os alunos mais avançados, mas, considerando que há formas menos degradantes de se alcançar o mesmo objetivo, as motivações por trás do trote são a diversão às custa da humilhação alheia.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Do Outro Lado do Mediterrâneo

mediterraneo

Não são apenas os faraós caotéticos a cair na região do mediterrâneo. Há também os bons e velhos primeiros-ministros caotéticos que se julgam além do bem, do mal, do povo, da própria juventude e do próprio conceito de Ética ou mesmo Respeito.

Em suas últimas declarações, Silvio Berlusconi diz “não estar preocupado” com seu julgamento por… bem, por falta de palavras mais precisas… safadeza com prostitutas menores de idade. No mundo da política, isso não chega a ser surpreendente ou inédito. Escândalos sexuais não são novidade, embora eu nunca tivesse ouvido falar em prostitutas menores de idade. Já ouvi falar em secretárias em salão oval, e outras peripécias. Nada que ultrapasse o limite da legalidade, apenas crimes morais.

Mas afinal, porque Berlusconi estaria preocupado, não é mesmo? Pra quem já sustenta uma história de mais de vinte anos de problemas com a justiça e nunca foi condenado, de corrupção política, fiscal a corrupção de menores. Berlusconi é um daqueles exemplos de governantes que deveria aprender com Mubarak e se mandar do poder enquanto ainda lhe resta a liberdade, porque dignidade, essa?, já se mandou faz tempo. Vergonha na cara, nunca teve…

No entanto, sua megalomania egocêntrica, o apego ao poder não lhe permitem ouvir a população italiana e seus contatos políticos lhe garante a possibilidade de permanecer intocado no poder, enquanto envergonha sua nação com declarações estapafúrdias, sexistas ou homofóbicas. Que a onda de revolução política no mundo árabe se estenda aos italianos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Todos os Impérios Caem

sarcófago

Acabou! A dinastia Mubarak chegou ao fim na tarde de ontem! Depois de quase vinte dias de protesto no Egito, o faraó caoético renunciou ao trono e seu reinado virou história. Foi para o seu balneário em algum lugar no Mar Vermelho. Finalmente se tocou que do jeito que estava, não dá e largou o osso. O povo egípcio se encontra agora livre, com um futuro cheio de possibilidades.

Existem várias lições a serem aprendidas nessa história. A primeira delas é que esses e outros que gostam do poder, deveriam se tocar e largar mãos do egoísmo narcisista e enxergar que a estagnação do governo vicia a máquina social, sufoca e leva a eventuais catástrofes - lição que poderia ser aprendia por uns e outros aqui mesmo no Brasil (leia-se: Sarney). Governo não é bem pessoal, é bem social!

Segundo, como já falei, mesmo que a organização de um povo, com um determinado objetivo, derruba até os governos mais resistentes. Como diz o “V”, “Um povo não deveria temer seu governo. Mas um governo deveria temer seu povo”. Ou algo nesse estilo.

Terceira: a internet tem mesmo poderes mágicos. Com sua ajuda, caiu um governo… Será que com a ajuda dela, cairiam também TODOS os governos? Não custa nada sonhar não é mesmo.

Mas acho que o mais impressionante aqui é perceber, numa comparação talvez injusta entre Brasil e Egito, as diferenças sócio-políticas. Nós somos um povo, talvez não oprimido, mas de muitas maneiras, insatisfeito com o rumo que nossos representantes assumem. Histórias de roubos, corrupção e posturas anti-éticas não faltam em nossos jornais. E, no entanto, não fazemos nada para mudar, para exigir as mudanças políticas de que tanto precisamos. Houve uma época no passado brasileiro em que essas manifestações populares mudaram o rumo de nossa história, tal qual aconteceu essa semana no Egito. Duas vezes aliás. Uma, durante a ditadura militar, os protestos e passeatas contra o regime ditatorial em que vivíamos, e depois o impeachment do presidente Fernando Collor. Esses três momentos compartilham grande insatisfação popular, que ferveu ao longo do tempo e explodiu, causando uma revolta que mudou as coisas.

Hoje, as coisas no Brasil não estão tão ruins e não estão faz um bom tempo, pelo menos dez anos. Claro que também não estão bem. Como disse, problemas não faltam. E nesse equilíbrio bizarro talvez se encontre o motivo de nossa apatia política. As coisas não estão bem como gostaríamos, mas não estão tão ruins a ponto de nos tirar da inércia. Propositadamente ou não nosso governantes nos deixaram nessa estranha posição, nem lá nem cá, garantindo assim a quietude política de que precisam para nos explorar e enganar. Talvez, só talvez, nossa apatia política não seja fruto de nossa alienação midiática ou falta de educação exemplar, e, sim, de nossa própria prosperidade.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sacrifícios

 

Chega-se a uma certa idade, em um certo período da vida em que problemas com relacionamentos são, se não freqüentes, no mínimo, presentes. E com os problemas vêm os conselhos; e com os conselhos, aquelas velhas máximas.

Uma delas, que quase sempre escutei mesmo antes de chegar à idade dos namoros, é que namorar, casar, viver junto, enfim, ter um relacionamento com outra pessoa é uma briga constante, uma verdadeira odisséia, uma jornada que, sem sacrifícios, não vai a lugar algum.

É estranho como essa história possa parecer verdade. Mas será que é mesmo? Talvez essa máxima valesse para o século passado, quando não havia divórcio ou quando ele era mal visto na sociedade. Quando a única opção que se tinha, era viver com a pessoa que você escolheu erroneamente. Dava-se à convivência árdua ares de virtude a ser cativada. Uma desculpa esfarrapada para sustentar uma instituição falida.

Namorar, casar, amar, deve mesmo ser tão difícil assim? Será que é verdade que para se amar é preciso sacrificar e ceder, mesmo contra a vontade própria. Seria apenas uma questão de saber medir, saber equilibrar quando ceder ou não? Amar é se diluir em outra pessoa, e permitir que outra pessoa se dilua em você. Vale a pena carregar esse peso na consciência. Amar não é aceitar o outro como ele é e se alegrar por isso? Então, por que ceder? Por que esperar pelo sacrifício?

Será que me ensinaram a amar errado? Ou eu que não aprendi?…

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Máscaras

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Existem certas idiossincrasias do comportamento humano que me intrigam. Não que isso seja novidade, pois, afinal, eu não entendo muitas coisas desse tal ser “evoluído”. Mas tem umas que realmente me intrigam. E, ao intrigar, instigam meu pensamento na busca por respostas.

Não levo muita fé na bondade humana. Pra mim, todas as pessoas possuem uma essência malévola que é suprimida por certas regras sociais. Assim sendo, quando ouço falar que o trote nas universidades e faculdades é um momento de brincadeira e confraternização para entrosar os calouros e outras choromelas mais, meu sentido cínico logo ataca.

Com outras tantas maneiras de se conseguir entrosar e quebrar o gelo com os novatos, jogar tinta, materiais fedorentos, pós de todos os tipos e cortas roupas e cabelos (para ficarmos apenas nos trotes mais leves, sem mencionar aqueles que acabam em tragédias) me parece ser uma desculpar (das mais esfarrapadas) para se deixar levar por aquela “essência malévola” que falei anteriormente. É como se achassem um momento especial para libertarem o desejo de dominação e superioridade que todos nós escondemos, de exercer poder sobre outros, de humilhar e saciar aquele pequeno demoniozinho que na maior parte das vezes silenciamos dentro de nós.

De onde tirei essa idéia maluca? Da pura e simples observação do comportamento das pessoas ao meu redor e a buscas por outras respostas além das já existentes.

A parte realmente ruim disso tudo é a perpetração dessa cultura mascarada de brincadeira. O desejo de “vingança” deturpado, que se instaura entre um período e outro inocentemente disfarçado, mascarando a perversidade das pessoas e a honestidade delas mesmas.

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O Lobo [Pitty]

Sempre em busca do próprio gozo
E todo zelo ficou pra trás
Nunca cede e nem esquece
O que aprendeu com seus ancestrais
Não perdoa e nem releva
Nunca vê que já é demais.